Os bastidores de Legacy of Atlantis: como uma equipe ao redor do mundo está construindo o Tomb Raider mais ambicioso de todos os tempos

Oito anos. É o tempo que os fãs da franquia mais antiga da história dos jogos de aventura em terceira pessoa aguardam por um novo capítulo de Tomb Raider. Desde Shadow of the Tomb Raider, lançado em setembro de 2018, o silêncio foi longo — mas nenhum silêncio dura para sempre. E quando a Crystal Dynamics e a Flying Wild Hog finalmente romperam o seu, o fizeram com uma declaração de intenções que vai além de um simples anúncio de jogo: Tomb Raider: Legacy of Atlantis se propõe a ser uma reimaginação do game original de 1996 — aquele que colocou Lara Croft no mapa e redefiniu uma geração inteira de jogadores.

Um novo vídeo de bastidores, divulgado nesta segunda-feira, 8 de junho, reúne desenvolvedores das duas equipes — Crystal Dynamics e Flying Wild Hog — e a atriz Alix Wilton Regan, responsável por dar voz à nova Lara Croft em Legacy of Atlantis e no próximo Tomb Raider: Catalyst. O material é denso, revelador e, acima de tudo, contagiante. Porque o que se vê ali não é apenas uma equipe de desenvolvimento falando sobre um produto. É um grupo de pessoas apaixonadas contando como estão tentando fazer justiça a uma lenda.

Uma Lara para chamar de sua

Antes de qualquer coisa, o vídeo acerta ao colocar Lara Croft no centro de tudo. E é Alix Wilton Regan quem melhor articula o que torna essa personagem singular depois de três décadas de história.

“Ela poderia viver uma vida de luxo se assim o decidisse”, diz a atriz, “mas em vez disso dedicou-se a encontrar a verdade.” Essa frase, simples à primeira vista, encapsula com precisão o paradoxo que sempre tornou Lara interessante: alguém com todos os privilégios do mundo que escolhe, conscientemente, o perigo. A aventura. O desconhecido.

A Lara de Legacy of Atlantis, segundo a equipe, é uma personagem plenamente formada. Sem as inseguranças que marcaram o arco de origem da trilogia Survivor. Sem a necessidade de provar nada a ninguém — nem a si mesma. “Não há insegurança. Ela pode, em determinados momentos, questionar-se, mas isso é muito diferente de sentir-se insegura”, explica Regan. É a Lara que os fãs mais antigos conhecem: elegante, confiante, intelectualmente voraz, e com aquele toque de ironia que vai reaparecendo ao longo da franquia toda vez que a personagem se consolida.

Uma carta de amor escrita a muitas mãos

O que chama a atenção no vídeo é a composição da equipe. Crystal Dynamics e Flying Wild Hog, estúdio polonês responsável por trazer frescor ao projeto, formam uma parceria incomum. Desenvolvedores de diferentes países, culturas e trajetórias, falando em inglês — uma língua que não é a materna de nenhum deles, como alguém observa com bom humor no vídeo —, e ainda assim encontrando um entendimento quase instintivo sobre o que Tomb Raider precisa ser.

“Era sempre fácil se comunicar com eles”, conta um dos membros da equipe sobre os colegas poloneses. “Eles falam polonês, eu falo português, e estamos conversando em inglês, então nenhum de nós está falando a mesma língua — e ainda assim havia uma compreensão do que era importante para um jogo de Tomb Raider.”

Essa diversidade não é simbólica. Ela está no coração do projeto. A equipe inclui pessoas que cresceram com os jogos clássicos, que construíram seus próprios níveis com o editor de fases da série quando crianças, que estudaram história e arqueologia inspiradas por Lara Croft. Há relatos emocionantes, e não posso deixar de citar a história de Meagan Marie — jornalista de games, autora de Women in Gaming: 100 Professionals of Play, cosplayer veterana e atualmente Diretora Criativa da marca na Crystal Dynamics. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente quando fui convidado a participar da E3 de 2018, durante a divulgação de Shadow of the Tomb Raider, e posso dizer sem hesitar: poucas pessoas no mundo conhecem e amam Tomb Raider como ela. Meagan conta que é fã desde os 12 anos, quando os primeiros jogos saíram, e que Lara foi o primeiro personagem em que se viu refletida. Guarda até hoje fotos dessa época fantasiada de Lara — incluindo uma posando como se estivesse pendurada em um lustre na casa das crianças em que trabalhava como babysitter. Saber que essa mesma pessoa hoje ocupa a cadeira de Diretora Criativa da franquia é, no mínimo, reconfortante. A franquia está em ótimas mãos! Esse é o tipo de time que faz um jogo diferente.

Ouvindo quem mais importa: os fãs

Mas talvez o aspecto mais revelador do vídeo — e o que deve deixar qualquer fã de longa data com o coração mais acelerado — seja a forma metódica e apaixonada com que a equipe se dedicou a escutar a comunidade antes de pôr a mão na massa.

A equipe passou um longo período lendo comentários e avaliações de praticamente todos os jogos da franquia. Não para validar o que já sabiam, mas para entender, de verdade, o que os jogadores precisavam, o que amavam e o que sentiam falta. E uma mensagem ficou clara: havia um grande número de fãs que jogavam a trilogia Survivor e gostavam dela, mas que sentiam que alguma coisa havia ficado para trás — algo dos jogos clássicos que ainda não tinha encontrado lugar nos games mais recentes.

“Não seria incrível, agora que temos todas essas ferramentas e um entendimento muito maior de como fazer jogos para uma nova geração, se voltássemos aos jogos mais antigos e víssemos se eles ainda fazem sentido? Se valeria a pena tentar reimaginá-los, preservando o que havia de bom no original, mas olhando para eles com o que aprendemos com a trilogia Survivor?” — é assim que um dos desenvolvedores articula a proposta central do jogo.

E o resultado dessa escuta atenta foi uma conclusão que vai muito além de uma simples decisão comercial: “ficou claro que tudo é, na verdade, um ponto de entrada muito mais emocionante se as pessoas tiverem a chance de voltar e jogar a aventura que tornou Lara famosa em primeiro lugar.” Essa história, dizem os desenvolvedores, precisa existir porque vai criar a camada fundacional sobre a qual todo o Tomb Raider do futuro será construído.

Uma carta de amor — e uma promessa

O vídeo termina com uma imagem que resume bem o espírito do projeto. Um dos diretores diz que seu maior desejo seria estar em cada sala enquanto os jogadores ligam o game pela primeira vez. “Joguei o jogo por alguns anos seguidos e não me surpreendo mais com nada”, confessa. “Mas ficaria fascinado ao ver a surpresa e o olhar de admiração nos rostos de vocês enquanto jogam.”

Há algo de genuinamente comovente nisso. E é exatamente esse sentimento que atravessa cada declaração do vídeo: a consciência de que Legacy of Atlantis não é apenas mais um jogo. É uma culminação de 30 anos de história. É a paixão de uma equipe que cresceu com Lara Croft e agora tem nas mãos a responsabilidade — e o privilégio — de redefini-la para mais uma geração.

Oito anos de espera. Trinta anos de história. Uma equipe reunida nos quatro cantos do mundo. Uma personagem que nunca deixou de ser relevante.

Legacy of Atlantis parece estar à altura de tudo isso.

Antes de ir, não deixe de assistir ao vídeo completo logo abaixo. São pouco mais de dez minutos que valem cada segundo — e que vão deixar a espera por Legacy of Atlantis ainda mais difícil de suportar. Para quem não é fluente em inglês, uma dica: o YouTube oferece a opção de legendas com tradução automática para o português. Basta clicar no ícone de engrenagem no player, acessar “Legendas” e selecionar “Traduzir automaticamente”. Não é perfeita, mas dá conta do recado.


Tomb Raider: Legacy of Atlantis está disponível para pré-venda nas edições Standard, Deluxe e Collector’s. Confira nosso post de comparação das edições para descobrir qual delas é a certa para você.

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